quarta-feira, 17 de junho de 2015

Mais um passo



"Estou numa fase feliz da minha vida. Apesar de saber cada vez mais que preciso melhorar em diversas questões, consigo aproveitar muito mais o que há de bom em mim. E posso afirmar categoricamente: se curtir, valorizar quem é você é, com todas as suas peculiaridades, características quem tem a ver com sua história de, é algo muito gostoso de se fazer. Curtir-se não é acomodar-se. É querer mais, mas aproveitar a travessia nessa vida, pois o principal não é o fim e sim o caminho que se percorre até "chegar lá". Não sei até quando vai durar essa fase, não sei se é uma nova forma de me comportar e encarar a vida. Sei muito pouco sobre isso tudo e ando querendo saber menos ainda. O que quero mesmo é ter a chance de testar-me, arriscar-me sabendo que dali em diante, já não serei mais o mesmo, pois serei fruto daquela experiência que fará dali em diante parte de mim. Pra uma pessoa que foi medrosa por muitos anos e que por décadas preocupou-se em como seus atos poderiam parecer aos outros, tenho a certeza que estou atualmente diante da fase mais espetacular da minha vida. Onde todas as experiências vividas, boas ou ruins, vão diretamente para o meu acervo pessoal de aprendizado. Que esta fase continua me ensinando e me guiando para experiências futuras cada vez mais engrandecedoras."


Escrevi esse texto no meu bloco de notas do celular no dia 10 de janeiro de 2015. Naquela época eu vivia uma correria insana na minha vida, lutava para um projeto pessoal de anos dar certo e não sabia ao certo o que era não estar com a mente totalmente ocupada de preocupações, dúvidas e incertezas sobre se estava dando certo toda a dedicação ou não. Me deparei com esse texto recentemente e até dei risada, pois em um momento tão decisivo na minha área profissional, eu havia conseguido tirar uns minutos pra dizer à minha própria pessoa de que estava feliz. Isso de alguma forma me enche de orgulho. Saber que felicidade não é ausência de sofrimento, dúvidas e que é um estado de perceber que você está no melhor momento da sua vida. Agora. 


Pois bem, a vida passou com muitas mudanças nesses últimos meses e de momentos sensacionais que vivi recentemente na minha profissão, fui colocado em uma situação de desconforto total e não realização. Não consegui, nem de perto, atingir as metas que acreditei serem alcançáveis para este ano. Passei longe. E hoje, muito mais racional, cerebral com todos os acontecimentos vividos e fazendo uso da emoção de maneira positiva, vejo o tanto de aprendizado que essa experiência me gerou. Se pudesse, não optaria por ela, mas não tenho dúvidas de que essa fase, me ensinou e tem me ensinado diariamente muito mais do que todas as vitórias, conquistas e realizações que tive. 

Estar por baixo, não obter sucesso. Todos aqueles tapinhas nas costas, falas de pessoas que acham que é só acreditar que vai dar certo, dizendo que você é o cara, que você é vencedor e que tudo vai se sair bem, silenciaram-se. Silenciaram-se diante da natureza do fracasso. O fracasso que emudece seus sonhos e que por um momento te faz questionar tudo, simplesmente tudo o que já foi vivido. 




"Era pra ter ido por esse caminho mesmo? Essa era mesmo a escolha que fez pra sua vida?"

O insucesso tem esse poder intenso e absoluto de te fazer revirar nas suas entranhas suas escolhas mais íntimas. Te faz lembrar daquele momento em que você conversou apenas com você sobre pequenas mas importantes decisões: "É isso que quero pra mim, mesmo que precise de anos pra conseguir algo?"

Fracassar em suas metas te faz olhar por dentro, questionar suas certezas e simplesmente se dar uma chance de virar o sentido que deu a sua vida para outro caminho. 

"É isso mesmo que continuo querendo?"


E em certos momentos, fazer-se esse questionamento é enriquecedor. Pois nos ensinaram que uma vez escolhido seu caminho, você deveria ir firme até o fim. E hoje em dia acho isso sinceramente uma baita de uma mentira. Você pode escolher o caminho que quiser. Se em algum momento descobrir que o que estava fazendo não mais te realiza, não mais lhe pertence ou que não tem mais sentido com suas ambições, dê meia volta e recomece. Posso dizer que desde o dia 11 de abril deste ano, o que fiz por estes dois meses foi me perguntar isso. Fazer uma "operação pente fino" na minha vida pessoal e tentar descobrir por que é que vim parar aqui.

Feito isso, passando por momentos de imensa dúvida, de incertezas que aparecem pra te fazer acreditar que você não estava no caminho certo, saio desses meses de "auto investigação" com uma certeza: Se quero alguma coisa no meio em que escolhi, preciso ser mais decidido, mais firme e mais direto do que já fui até agora.

Não foi fácil chegar a essa conclusão. Mas depois de um bom tempo avaliando tudo, vejo que o que tenho de fazer é mais simples do que parece. Começar tudo de novo, com mais força e agora com mais experiência adquirida. É planejar-se, colocar no papel as metas, refazer um calendário que almejava por conquistas mais próximas e aceitar que o recomeçar é usar um pouco de tudo que já viveu, mas ao mesmo tempo estar pronto pro novo, pro que (ainda) não se sabe e  juntar esses dois contextos em um novo comportamento. Mais preciso, mais maduro e tentando entender que é preciso manter-se humilde pra passar por cima das barreiras que possam existir sem querer "vingar-se" de nada.

E é nesse momento, em que tenho a certeza de que preciso ir com mais força e gana ainda, que lembro do texto escrito no início do ano e que abre este post. Preciso aproveitar a travessia e fazer destes grandes altos e baixos o grande barato de tudo. Isso pra mim é a verdadeira sensação de felicidade. Não saber como vai ser, temer, falhar, arriscar-se e ver que você agora já não é mais o mesmo de tempos atrás.

É lutar diariamente contra as vozes que querem te fazer desistir de tudo e perceber que a dificuldade e não realização que enfrentou foi apenas mais um passo em direção ao caminho que almeja. É seguir em frente e começar de novo. Parece difícil, mexe com o ego, mas é o que decidi que é o certo e o que devo fazer.

Estou pronto pra correr atrás. 

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Meu Rio

Uma brecha na agenda, uma mini folga tão rara no fim de semana e cá estou eu no Rio de Janeiro, cidade na qual vim ao mundo e que por anos me fez sentir saudade e me deu a sensação de frustração por nela não morar.

 O Rio foi a minha primeira grande paixão na vida. Eram três meses vivendo aqui, de férias, com intenso aprendizado e nove meses com imensa saudade. Saudade dos familiares, de ver o Cristo Redentor, das paisagens, do calor, das pessoas que conversam naturalmente e com uma série de situações que me faziam acreditar que aqui era o meu lugar. Com o passar do tempo, aprendi que Brasília tinha um lugar sólido em minha vida. Cidade que deu meus amigos, que me formou e me deu direção a caminho da realização dos meus sonhos. E graças a ela, descobri que de apaixonante existem diversos lugares. 

Como numa crise adolescente, fiquei de mal do Rio por diversos fatores e me permiti conhecer novos lugares. Lugares esses que me fizeram perceber de forma intensa o poder das diferenças como forma de aprendizado e completude. E assim, me enveredei por diversos locais, vivencias e situações novas, o que me fez aprender em grande escala sobre questões que considero essenciais em minha vida. O Rio então tornou-se um local para visitar rapidamente os familiares, para um descanso breve e volta rápida para seus afazeres.

Mas na situação atual da minha vida, de começar a olhar pra trás e ver sentido nas coisas, eis que me encontro de volta ao Rio, completamente fora de época, buscando descanso e refúgio como quem o faz quando volta para a casa dos pais. Um completo porto seguro onde se reabastece as energias, mas lembra-se de onde veio, quem és e o que está a buscar.  E estar de volta na fase atual que vivo, onde começo a perceber os pequenos frutos que aparecem devido a muitos anos de esforço e dedicação em busca de alguns sonhos, consigo então perceber que só o Rio de Janeiro teria a capacidade de me receber como recebeu. Estar aqui de volta é lembrar do meu primeiro e eterno grande amor. Dos grandes sonhos que tive e das promessas que me fiz. E aí percebo como essa relação de inúmeros encontros e despedidas com o Rio me ensinaram a ser quem sou. 

O sonho que tive de morar aqui quando menor, que me fazia chorar toda vez que ia embora e que me enchia de boas lembranças durante o ano inteiro estando distante, me ensinou a amar e a saber esperar. Me ensinou a entender que enquanto esperava e acreditava que haveria um novo encontro, era preciso continuar vivendo, crescendo, aprendendo e produzindo. E aí percebo que o Rio me deixou diversos legados que foram além da saudade pela cidade que tanto amo. O Rio me ensinou que não posso parar enquanto espero. E que é possível amar muito além do que apenas um mesmo lugar. E assim, desenvolvi um amor hoje em dia mais maduro por Brasília e por outros tantos lugares. Hoje, ao ver o último pôr do sol por aqui antes de retornar a Brasilia, percebi o quanto devo a este lugar e o quanto sou filho daqui mesmo estando a maior parte da minha vida distante. 

Mesmo sendo crítico ao que vejo muito mais claramente por aqui como essa mania de ser o mais esperto e melhor em tudo, mesmo vendo a banalização absurda da violência, da lei de Gérson e a tudo que apologize o se dar bem sem fazer muito esforço, vejo que aqui ainda é o meu lugar, meu berço, minha identidade e de onde vim. Estar aqui por alguns dias, reencontrar familiares, avistar paisagens que continuam ali, belas, no mesmo lugar, são acontecimentos que simplesmente me dão sentido. Dão o sentido que preciso para voltar a Brasília e mergulhar cada vez mais forte em meus sonhos, em busca da realização que busco e que me dá sentido na vida.
 
Confesso que é muito bom saber que essa paixão continua aqui em mim guardado em um cantinho o amor pela minha casa. Para a cidade que, apesar das imensas críticas que tenho, me dão a força necessária para seguir em frente. E me dão a certeza de que, em breve, estarei de volta para agradecer pelos eternos ensinamentos e para matar a saudade novamente. Talvez só quem seja do Rio possa entender o impacto que causa avistar o Cristo de longe se aproximando ou mesmo sentir a água gelada do mar batendo em seus pés ao andar pela areia em direção a um breve mergulho. 

Missão cumprida mais uma vez. Agora é hora de voltar.

domingo, 3 de agosto de 2014

O que me dá sentido na vida.

A subida leva muito mais tempo que a chegada. Portanto, aproveite os degraus.

No início de fevereiro tive uma surpresa que mudaria todo o meu ano de 2014. Recebi pela primeira vez, após 15 anos de trabalho, uma oportunidade de apoio a tentar alçar voos maiores em minha área profissional. De início tudo muito interessante e engraçado até. Logo no ano em que havia me reservado ir me desligando aos poucos da vontade de me profissionalizar na área, no ano em que havia me decidido trabalhar com a área de uma forma mais tranquila e havia me prometido dedicar-me mais a área acadêmica, surge uma pequena brecha e uma oportunidade de mostrar serviço. Não hesitei, deixei claro meu interesse de avançar naquele projeto e que fazia questão de que pudesse receber esse apoio para valorizar o trabalho que é feito há tantos anos aqui na minha cidade por tanta gente e que não é muito visto. A proposta era bem clara: três meses de apoio e um objetivo de tentar chegar o mais longe possível com o projeto. Pois bem, depois de duas a três semanas negociando todo o processo, desafio prontamente aceito e uma mudança radical nos planos pessoais para 2014.


Não posso me considerar um workaholic, mas sou daqueles que acredita que apesar da vida ter esferas muito bem definidas como família, amigos, trabalho, lazer e etc, tento e sempre tentei fazer do meu trabalho algo que me identifica, que me faz sentido, que me consome (e preciso a cada dia saber lidar melhor com isso), mas que também me realiza e torna-se a extensão da minha vida. Em nossa criação católica (grande maioria e eu fui mais um deles) temos os ensinamentos de quando crescermos, devemos encontrar nosso grande amor, nos casarmos e sermos então "felizes pra sempre" apenas alimentando e cuidando desse amor. Confesso que já faz muito tempo que deixei de lado essa crença e ressignifiquei muita coisa com relação a isso. Mesmo assim, posso dizer que minha profissão é uma das grandes paixões da minha vida (Sim, sou daqueles que acredita que não existe apenas um amor na vida!), mesmo querendo a cada dia mais fazer novos trabalhos em novas áreas. 

Enfim, voltando ao desafio de três meses, a primeira ação a se realizar, algo que estudei recentemente em uma especialização de gestão de pessoas e que a cada dia percebo ser o diferencial em boas vivências profissionais foi de priorizar estar cercado por pessoas não só capazes profissionalmente, mas com características pessoais com as quais me identificava. Pessoas dispostas a trabalhar duro e a se superarem. O que posso dizer é que foi um mergulho profundo em uma proposta de trabalho que ainda não tinha experimentado. E mesmo lá, mergulhado profundamente na oportunidade de ser um profissional, mesmo que em um projeto piloto de apenas noventa dias, posso dizer que percebi que isso sim é uma das grandes razões da minha vida. Existe uma frase clássica de que "eu era feliz e não sabia". Pois nesses três meses "eu fui feliz e estava sabendo". Mesmo assim, mesmo com tamanha identificação com o que fazia, o desgaste, o cansaço, e muitas vezes a dor interna de abrir mão de muitas coisas para poder dedicar-me a este projeto, ao mesmo tempo que me fizeram cansar, desgastar-me e a flertar com um esgotamento mental e emocional, fizeram-me ver que é mesmo algo no que gostaria de seguir fazendo em minha vida.


O grande desafio é que poder viver disso, ter uma chance de profissionalizar-me neste segmento é uma combinação absurda de capacidade profissional, network, momento propício(ou não) e evidentemente não temos controle sobre essa possibilidade. E esse tem sido um dos grandes aprendizados na minha vida: Aprender que não podemos ter controle sobre tudo, mas podemos dar o nosso melhor sempre. Desde 2010, quando "naufraguei" em um projeto profissional e em que poderia ter me frustrado de vez, tomei uma decisão de que encararia qualquer projeto na minha vida com maior força ainda. Nada mais justo por ser um respeito ao meu trabalho, ao que acredito e à quem está me contratando. Decidi que me dedicaria a esta profissão sempre que tivesse oportunidade da melhor maneira possível. Acredito que essa decisão fez a diferença e tem feito na minha vida, pois me dá a perfeita visão de que o melhor que você está vivendo é agora. O melhor trabalho que pode fazer é exatamente neste momento. Ao invés de ficar recordando o que já foi um dia lá atrás ou ficar esperando uma oportunidade lá na frente.

Por isso, 2014 já tornou-se um ano extremamente marcante pra minha pessoa, pois me provou que somos fruto de nossas escolhas. E hoje em dia tudo faz muito sentido pra mim. Hoje, sou fruto das escolhas que renunciei. Pago seriamente pelas escolhas que fiz com muito maior entendimento. Mas ao mesmo tempo, se consegui algo, se consegui algum reconhecimento, quer seja respeito ao meu trabalho, quer seja o respeito de colegas, amigos e profissionais da área (já que o reconhecimento financeiro ainda não veio), posso dizer que foi graças a libertar-me das amarras do medo de entregar-me ao meu trabalho. Foram três meses de muita descoberta de que tudo o que fiz lá atrás foi responsável pela pequena brecha e oportunidade que tive. E o melhor de tudo foi que chegamos ao "grand finale", pois não só concretizamos todas as metas estabelecidas pelo projeto desenhado em fevereiro, como fomos além. Missão mais do que cumprida. 


O que cada um desta foto fez foi dar o seu melhor diariamente durante noventa dias. 

Agora, "de volta a realidade", é continuar trabalhando sério, abrindo novas oportunidades e quem sabe lá na frente perceber que tudo o que foi vivido até agora, continua sendo a base e a explicação para os novos acontecimentos. De tudo que tenho aprendido nessa vida, o que aprendi nesses três meses de "projeto piloto profissional" é de que temos de confiar muito mais em nosso trabalho, em nossas convicções, sempre dispostos a se dar uma chance de fazer o melhor trabalho de nossas vidas a qualquer momento, dispostos também a aprender rapidamente com os próprios erros e de que no final das contas, o bom combate, o dia a dia, o trabalho duro, árduo, sincero, intenso e verdadeiro,o desgaste e cansaço que te dá sentido, são muito mais valiosos do que as conquistas ou definições que fazem de você.

Que venham os novos desafios e que eles sejam encarados da melhor maneira possível!